25 de mar de 2010

De Blog em Blog - Contos Infantis

Hoje, quinta-feira, dia do "De Blog em Blog". Onde alguns blogueiros escrevem sobre o mesmo tema, como forma de interagir e "brincar" com a criatividade. Tema de hoje, "Contos Infantis", escolhido por este que vos escreve. Causos da infância, histórias ou poema sobre tal assunto. Vale qualquer coisa. Então vamos ao que interessa....


Blogs Participantes:
Abra o Bico de Lucas Brandão - http://abraobico.blogspot.com
Contando Pensamentos de Raquel Pereira - http://pensandoecontando.blogspot.com




O Timandinha




Boa tarde senhoras e senhores, sentem-se, fiquem à vontade que a história vai começar. Uma história de infância, pequenininha, mas que gostaria muito de contar.
Tudo começa em um época onde ainda podíamos brincar, ser feliz, sem nada com o que nos preocupar. Há algum tempo, uns 20 anos, um menininho estava a brincar. O local era a famosa Chácara Dirindele, que tinha como proprietário o respeitado Dr. Edson Pereira, veterinário famoso e muito conhecido da região. Senhor imponente, forte, com energia jamais vista em outro lugar e o que lhe era mais peculiar, mesmo com um braço a menos dos meros mortais, este senhor fazia o que muitos jamais fizeram ou tentaram ousar.

Este senhor cuidava de sua chácara como alguém cuida do seu lar, pois lá sem dúvida era o seu lugar. Andava por todos os campos, cantos sempre a arrumar e a trabalhar. Fazia parto de vaca, tirava leite, capinava, pra o que precissava lá estava àquele homem forte a trabalhar. Dr. Edson tinha 6 filhos e 10 netos na época. E a cada final de semana todos iam para àquela linda chácara para se distrair e prozear.

Neste dia em especial a família estava toda reunida os adultos a beber e comer e a "netaida" toda esparramada a brincar. Dr. Edson, como sempre fazia estava lá ao mesmo tempo prozeando e trabalhando, jamais parado, ah não ser quando estava com um copinho de cerveja ou quem sabe pinga a saborear.

Então uma volta pela chácara ele foi dar. A chácara tinha uma casarão onde tinha os quartos e principalmente a varanda, área preferida de todos, onde havia a cozinha e a churrasqueira, sempre com algo a grelhar. A construção era toda de tijolinho à vista e em volta da casa um passeio entre a parede e o gramado, para separar.

Andando pela chácara, Dr. Edson sempre a admirar a beleza da natureza, parava e assobiava os passarinhos à cantar, depois via uma arrevoada de araras a passar. Olhava também sempre seus xodós, seus netos, crianças felizes e sadias todas o tempo todo sem parar a brincar. Porém, na volta pela casa, este belo senhor ouviu algo que parecia incomodar. Um passarinho batendo contra uma parede seria? Tac, tac, tac, tac... Olhou procuro e não viu nenhum passáro a voar, mas o barulho continuou... tac tac tac, então resolveu uma volta na casa dar.

Foi ai, que se deparou com algo que jamais poderia imaginar e algo que nunca nunca mais iriar deixar de contar. Em um canto da casa, na parte de trás daquela construção estava um de seus mais jovens netos, ainda bem criança sozinho e o barulho vinha de lá. O molequinho tinha cor jambo, cabelo meio castanho, ainda lizo, um dos menores dos primos, nem gordo nem magro, barrigudinho, mas era muito bunitinho. O jovenzinho estava tão concentrado, sentado no passeio que nem viu seu avô chegar. Então, sem querer atrapalhar o senhor chegou e enfim descobriu o que estava a lhe incomodar. Seu neto com um barrinha de ferro, dessas que se encontra em alguns móveis antigos ou em qualquer lugar estava o passeio a furar. Tac, tac, tac, tac....

Então Dr. Edson, admirado e supreso, pensou "uma peça vou pregar nesse menino, vou brigar com ele, danar, e ver no que que dá".

Então, ele se aproximou silenciosamente e falou:
- Que que ocê tá fazendo ai menino?
O menino sem titubiar respondeu:
- To brincando uai.
O senhor se admirou e contra-atacou:
- Mas, não pode furar o passeio não, assim tudo.
Ai, veio o que menos o senhor esperava a segunda resposta que a criança ia dar, algo que uma vida inteira ia marcar. O menino olhou seu avô e sem tomar nota falou:
- Mas num é ocê que TIMANDA aqui.
E virou e continuo a "brincar".

O senhor olhou, abriu àquele sorriso e sem palavras ficou. Virou em meio uma alegria repentina e a surpresa e pensou; "Menino abusado sô"... e este Senhor que a todos os netos e filhos de um a um apelidos ele mesmo colocou, enfim decretou:

- Este aí, agora ficou, TIMANDA, pelo seu tamanho, só pode ser timandinha.

Mal imaginava àquele moleque, que daquele dia em diante, até sempre para sempre assim seu vô o chamaria. Pois, assim somente que o senhor aos seus xodós se referia , apenas pelos apelidos. E assim ficou, e o apelido na família pegou era Timanda pra cá e timandinha pra lá.

O jovem então cresceu e continou sendo o timandinha do vô, que fica timandando aqui e ali ou acolá.

Bem, essa é a história de como surgiu o apelido pelo qual o meu vô, Dr. Edson, me chama até hoje e assim resolvi contar. Sou o timandinha ou timanda como ele preferir chamar, pra quem não sabia agora está a par. Uma singela homenagem à este grande Veterinário, Poeta, Pai, Vô, Homem bom, que é meu vô. Fico por aqui. Obrigado, por até aqui você chegar....


Emerson Reinert, o Timandinha

7 comentários:

Mary disse...

Linda história do cabeça que se transforma no TIMANDA ;)
beijos son son

Susane disse...

o texto é lindo mais a foto que representa ele é mais ainda.. hehe

timandinhaa =)

Beijoss!

Diogo Stival disse...

Clássico! hahahaha

Lucão disse...

Muito bom, Timandinha! hehehe
boa rodada, meu camarada.
Mais um ponto!
:)

Raquel de Carvalho disse...

TIMANDOU bem!!!!! kkkkkkkk adorei!!!! O meu tá lá...
http://pensadoecontado.blogspot.com/

bjoooooossssss

MIriAn lOpeS disse...

Descobri o seu blog por acaso e adorei a ideia de blog em blog e mais ainda o seu texto. Voce aceita inscricao para o seu projeto? rs Cheguei atrasado, mas a algum tempo escrevi o "Alma Andarilha", que nao deixa de ser um conto infantil. Sera que vale? rsrs

Juliana Carla disse...

Olá

Obrigada por estar no Braille da alma.

Sigo-te!

Bjuxx e xeroo